Sintomas;
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Pensamentos lúgubres passeavam sob sua pele. Assustava, sobretudo, a lucidez do seu desespero. Ah, a impetuosidade do sangue que corre intrépido no sistema involuntário, correndo constantemente, irrigando os órgãos pútridos. E o líquido aquoso que se punha para fora dos globos oculares! O conhecido sal quente e úmido percorrendo-lhe as maçãs da face tumefata. Procurando, pois, o caminho já conhecido, beliscando o septo nasal, arriscando-se nos lábios, adentrando a boca, e fazendo-se reconhecer, enfim, nas papilas. Sua face, intumescida, evidenciava o que o seu falar lacônico não proferia, na inútil tentativa de negligenciar as palavras ocultas pelos traços duros, sustentando obstinadamente impassibilidade e rigidez. A inconveniência da face intumescida estava no esboço da torrente funesta que era silenciosamente guardada sob a pele seca, pitoresca.
Possíveis causas;
Será a condição física quimérica?Fantasmagórica? Dantesca?
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Se não, serão suas circunstâncias intelectuais impregnadas de vício, não saberes, inundas por pedantismo alheio ao conhecimento?
Psicológico, talvez? Às vezes, parece tão intrínseco, inexpugnavelmente biológico.
Será essa a condição mundana de viver?
Ou a relutância de viver no mundo?
P.s.; Tal essência de pensamentos funestos traça um deliberado final trágico?
Meu comentário não é sobre este post, mas sobre os primeiros. Li os seus primeiros posts desse blog e fiquei surpresa com a qualidade de seus textos. Não conhecia esse seu lado escritora. Continue assim! Abraço, Lu. Amandinha
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