sábado, 3 de outubro de 2009

Diagnósticos diferenciais para pensamentos funestos.

Sintomas;

Pensamentos lúgubres passeavam sob sua pele. Assustava, sobretudo, a lucidez do seu desespero. Ah, a impetuosidade do sangue que corre intrépido no sistema involuntário, correndo constantemente, irrigando os órgãos pútridos. E o líquido aquoso que se punha para fora dos globos oculares! O conhecido sal quente e úmido percorrendo-lhe as maçãs da face tumefata. Procurando, pois, o caminho já conhecido, beliscando o septo nasal, arriscando-se nos lábios, adentrando a boca, e fazendo-se reconhecer, enfim, nas papilas. Sua face, intumescida, evidenciava o que o seu falar lacônico não proferia, na inútil tentativa de negligenciar as palavras ocultas pelos traços duros, sustentando obstinadamente impassibilidade e rigidez. A inconveniência da face intumescida estava no esboço da torrente funesta que era silenciosamente guardada sob a pele seca, pitoresca.

Possíveis causas;
Será a condição física quimérica?Fantasmagórica? Dantesca?

Se não, serão suas circunstâncias intelectuais impregnadas de vício, não saberes, inundas por pedantismo alheio ao conhecimento?

Psicológico, talvez? Às vezes, parece tão intrínseco, inexpugnavelmente biológico.

Será essa a condição mundana de viver?

Ou a relutância de viver no mundo?


P.s.; Tal essência de pensamentos funestos traça um deliberado final trágico?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Caminho mudo no passo surdo.

Caminho mudo no passo surdo, ignorando as veredas onde este me porá
Se estou cego ou se estou no escuro, ah, já não sei, não sei por onde rumo
vou construindo versos na inútil tentativa de simplesmente delinear
o meu ponto de chegada, tecendo palavras e veemente pergunto -
mais uma peremptória década ou mais um senhor segundo?
Mapeio, pois, assim, a fim de desvelar a forma fugidia
No esforço infrutífero, que se não me tormenta
Ao menos me alivia, pois se desconheço o
Tempo, cabe a mim estabelecer a forma
Fazendo de um árduo labor o que
Outrora, fora forte agonia
Pois é o que você faz que
benevolente o torna
Passo então, no
Caminho que
Sinuoso e
sem

é
nu
e
tem
segredos e
então,arrefeço-me
e não mais ignorarei
que em tempo algum sofri
Por simplesmente não saber
De como será a minha partida
Tal é, a circunstância dessa vida
A ampulheta torta e imprevisível!!
Guarda escondida a bebida que escoa
Pela taça invertida, celebrando o tempo
que o Tempo me der, aproveitando cada
uma das gotas do vinho que lhe couber,bebo
A



v
i
d
a
.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Canção Bucólica.



Neste lado da cidade
Eu posso ver o céu de cabeça pra baixo
O Sol está se escondendo
Mas eu posso sentir o calor na minha pele
De repente, eu sinto a brisa em minha face
A chuva começa a cair suavemente em meus pensamentos
As palavras estão penduradas em minha língua
As gotas de chuva escrevem a minha canção.
Os pássaros voam longe, fugindo livres entre as nuvens
O chão está molhado
O som da água caindo alcança meus ouvidos
Delicadamente, como uma canção de ninar
Tão docilmente, preenche meu vazio por dentro.
Eu posso sentir a mudança do tempo
Minha inspiração nunca se esvai
Eu posso sentir o Sol queimando sob minha pele
Eu sei que posso voar
Com apenas um olho aberto para a realidade
E um olho fechado para os meus sonhos.
Então, finjo que posso voar
Esqueço o chão, a névoa
E a tempestade
Lembrando que tudo é vão
Que tudo é menos que os matizes remanescentes da agonia dos céus.
Ouvindo -
James Morrison,feat Nelly Furtado - "Broken Strings"

terça-feira, 28 de julho de 2009

Expectativas.


Começarei este post de hoje abordando coisas que podem parecer absurdamente desconexas. Mas eu sempre tento chegar aonde quero. Bom, geralmente consigo, mas como já citei aqui, pode ser que não valha à pena, pois, dependerá do que o enunciatário deseja ouvir.

Primeiramente, gostaria de falar de uma canção. Secundariamente, quereria fazer alusão a uma filosofia pessoal, razoavelmente antiga.
No entanto, antes que eu me esqueça, preciso fazer uma advertência. Advirto-o desde já sobre a minha patológica capacidade de relacionar fatos e, logo, peço desculpas antecipadas se causar no leitor chatíssimas confusões de semântica e principalmente de coesão. Provavelmente, as confusões são minhas, não suas. Logo, decididamente, a leitura exige atenção, portanto não se distraia. Não obstante, pode ser que eu me distraia caro leitor, então o advirto mais uma vez que você pode se sentir perdido aqui, ou até mesmo contrariado. E digo mais: Não se surpreenda, já disse que escrevo quase que exclusivamente para mim mesma, buscando simples – ou complexas - exteriorizações. E se me refiro a alguém como “caro leitor” é só mais uma ferramenta para facilitar meus monólogos, retóricas, oratórias existenciais, blábláblá... Terceira e última advertência: Se tudo isso o aborrece, aconselho-o afavelmente, não perca seu tempo “lendo-me”. “Por quê?” Assunto supracitado. Não estou aqui para dizer coisas bonitinhas, tampouco para falar de paixões ardentes da meninice. Não, não estou manifestando desdém quanto a estes assuntos. Respeito-os. Isso, porém, definitivamente não faz meu estilo. Gosto de discorrer sobre verdades, questões existenciais e um pouco mais. Pelo menos no momento. E se nada disso lhe soa simpático, pegue um bom livro e divirta-se!

Bom, faz algum tempo, estava lendo um bom livro - A Cabana - nele, li certas coisas que me fizeram lembrar algo que escrevi. Não por sua relação direta, mas por simplesmente eu estar naquele momento fitando a resposta para alguns de meus questionamentos. Melhor, a confirmação.
Há uma canção minha, um trecho. A relação inicial. Este trecho despertou em mim a vontade de vir aqui e tecer palavras e pensamentos que ecoam em minha mente. Então seguro todos eles numa ponta de lápis e concretizo-os. Marco no papel amarelado com a mão que tenta – inutilmente – alcançar as torrentes de pensamentos, conexões, sinapses nervosas se interligando... Eis o trecho significativo, motivador;
“Estou esperando por um suspiro, uma palavra, uma carta. Olhando para o céu, eu estou me perguntando por que eu não consigo ver as razões da vida. Então eu procuro-a em cada canção que cada livro canta para mim, todas as noites antes de eu dormir.”
Este livro foi a resposta.Ou melhor, a confirmação. Talvez tudo faça mesmo algum sentido. Talvez haja certa conexão em todas as nossas atitudes e escolhas. O que queremos e o que buscamos. Talvez acabemos encontrando.
Eu tenho uma filosofia na qual eu me recuso a acreditar em expectativas. Expectativas são paradigmas, estáticos. Relacionamentos são ações, dinâmicas. Como poderia haver relação em coisas tão distintas? Expectativa é eufemismo para “exigências”, uma dissimulação para regras gerais que limitam. Nada deveria ser baseado em expectativas, pois tudo se restringiria a um verbo destrutivo: DEVER. E creio que relacionamentos estão muito além de tais denominações. Está no interesse desinteressado. Na reciprocidade livre de poder. E de suas subseqüentes hierarquias. O relacionamento é constituído da espontânea e mútua subordinação e subserviência para com outrem. No interesse primordial de ouvir sem esperar ser ouvido. E foi nesse livro – A Cabana – que li algo genial. Algo que agora tornou-se indubitável para mim. “Os humanos tentam controlar o comportamento do outro para chegar ao resultado desejado por meio das expectativas.” E mais: “Eu conheço e sei tudo sobre você. Porque teria uma expectativa diferente daquilo que já sei? Seria idiotice. E, além do mais, como não a tenho, vocês (humanos) nunca me desapontam.”
Basear relacionamentos em expectativas é a prova do quão pouco conhecemos o outro. E da quão ilimitada é a nossa prepotência. Em querer moldar. Em vez de simplesmente aceitar. Espero que possamos nos abster do poder. Para um dia chegarmos à quintessência do respeito, da consciência dos limites daqueles que estão próximos. Que desliguemos conceitos, substantivos, como responsabilidade e dever, do significado genuíno de se relacionar com o outro, seja qual for a forma. E que sejamos, enfim, livres de modelos e padrões para construirmos nossos relacionamentos e o façamos a partir de nossos sentimentos, com espontaneidade, descobrindo sem baluartes aqueles que amamos.
Há certas verdades que você deve descobrir sozinho. Há certas corroborações que não se pergunta a ninguém. Se você quer verdadeiramente saber, elas o encontrarão de alguma forma. Perfeitas e simplistas, se você realmente entender...

sábado, 27 de junho de 2009

Pequenos grãos de areia nas ampulhetas.

És um senhor tão bonito 
Quanto a cara do meu filho 
Tempo tempo tempo tempo 
Vou te fazer um pedido 
Tempo tempo tempo tempo...
Compositor de destinos 
Tambor de todos os rítmos 
Tempo tempo tempo tempo 
Entro num acordo contigo 
Tempo tempo tempo tempo...
E quando eu tiver saído 
Para fora do teu círculo 
Tempo tempo tempo tempo 
Não serei nem terás sido 
Tempo tempo tempo tempo...
Ainda assim acredito 
Ser possível reunirmo-nos 
Tempo tempo tempo tempo 
Num outro nível de vínculo 
Tempo tempo tempo tempo...
Caetano Veloso - Oração ao Tempo


Quem me conhece acha-me irônica. Sarcástica. Em verdade, eu bem o sou boa parte do tempo. Mas às vezes não. Digo simplesmente uma verdade que é irônica por si própria. E gosto das verdades. Não que eu me divirta com elas. Não. Até porque muitas delas tomam formas. Machucam. Inclusive a mim. Não estou ilesa a tudo isso. Mas gosto das verdades porque parte de mim precisa de uma ponta de realidade. Já disse aqui que gosto de passar boa parte do tempo imaginando, desconectando-me, mas isso não quer dizer que esqueço a realidade. O mundo, propriamente dito. Pois aquele que idealizamos, infelizmente, existe apenas costurado em nossas mentes, ostentado em nossos sonhos. Dia a dia, experimentamos o gosto amargo do real. Daí, você pensa, “essa garota é destrutiva”. Não sou. Admito ser ora pessimista, mas ora, inclino-me sobre o utópico otimismo. No entanto, não abro mão do realismo. Do mundo como é de fato. O sabor acre é uma conseqüência. Melhor: Uma indicação. Um indício de que já conhecemos algo mais. Que valha a pena. E então, estamos sempre buscando estas sensações. Tornam-se um motivo, para prosseguir. E mais: Se vivêssemos inocuamente, medíocres, não nos daríamos conta da dor. Pois esta só existe depois que experimentamos algo, tão fugaz como a vida é. Intensa: Felicidade. Mas não falarei explicitamente sobre ela. Não hoje. Comecei falando sobre ironias e verdades, e delas falarei a seguir. No post passado, falei sobre MORTE E CHOCOLATE. Pouco depois, - não sei se foram horas ou dias - disseram-me que Michael Jackson havia morrido. De súbito. O mundo perdeu o Rei do pop, de maneira imprevisível. O mundo chorou. A mídia repetiu zilhões de vezes os melhores momentos do cantor. E os escândalos, claro. As transformações de rosto, como sempre. Especulações. Defeitos e qualidades foram ressaltados nas diversas homenagens feitas por vários canais da TV aberta, internet, jornais. Dizem que ele se foi cedo demais. Apenas 50 anos. É deveras uma vida curta. Mas não é assim que gosto de ver as coisas, uma vez que ele fez parte de inúmeras gerações. São cinco décadas de inovação seja na música seja na dança. Michael Jackson cantava desde os sete anos de idade com o grupo Jackson’s Five. Lembro-me de ouvir esta banda desde nova. E sempre gostei muito de suas músicas, inclusive as de sua carreira solo. É inegável que seu trabalho fez parte da minha infância e até os dias atuais. Bom, ouvi muitos lamentos sobre a morte inesperada e protestos para que parassem de divulgar os escândalos da vida pessoal do artista. Nada disso me impressionou, já que está intrínseca à natureza humana a negação de uma verdade irrefutável: somos efêmeros, mas nem sempre nos damos conta disso. E temos facetas. Irônica e literalmente Michael teve várias. Sarcasmo? Não. Hoje não. Isso tudo me fez lembrar um livro. Há uma frase genial nesse livro, A menina que roubava livros, – e falarei muito mais dele – na qual a Morte - a narradora da história – diz algo que eu mencionei no post passado, daí a grande ironia disso tudo. Eis o trecho: “O ser humano não tem um coração como o meu. O coração humano é uma linha, ao passo que o meu é um círculo, e tenho a capacidade interminável de estar no lugar certo na hora certa. A conseqüência disso é que estou sempre achando seres humanos no que eles têm de melhor e de pior. Vejo sua feiúra e sua beleza, e me pergunto como uma mesma coisa pode ser as duas. Mas eles têm uma coisa que eu invejo. Que mais não seja, os humanos têm o bom senso de morrer.” É simplesmente genial. Essa frase sempre volta à minha cabeça, desde que li o livro: “os humanos têm o bom senso de morrer.” Certa vez, eu disse que morrer é uma eventualidade. Uma passagem, na qual esforçamo-nos para compreender a própria existência. (post A história explicada). E ouso mais: Morrer é fácil. Difícil é viver. Só por favor, não se precipite. Morrer é fácil para quem vai. Mas é difícil para quem fica. Para quem perde. Para quem vê outrem partir. Nunca disse que lidar com a perda é fácil, é eventual. É verdade que é certa. Inevitável. No entanto, dolorosa. Além do mais, se estamos sempre nos mostrando no que temos de melhor e de pior, chegaria um momento em que teríamos que decidir se somos feios ou bonitos, maus ou bons, e certamente não somos nem uma coisa nem outra. Somos os dois. Somos o equilíbrio de duas forças que nos constituem. Não existem vilões ou mocinhos, como os que você idealizou quando criança. Pensar assim é inocência demais. E somos complexos demais para nos resumir a uma coisa só. Somos compostos por partes antagônicas. Somos controversos, portanto, humanos. Por isso, não poderíamos viver muito. Seria cansativo. Até porque começamos a morrer a partir do momento em que nascemos. E outra: O ser humano é tão desastrado quanto parece ser. Sim. Busque na história. Quantos erros já cometemos? Quanto mal já causamos ao mundo? Erramos porque estamos simplesmente seguindo a ordem natural das coisas. Não conheço tal ordem, mas sei que ela existe. Basta olharmos para nós mesmos. Quantas coisas já fiz que me arrependesse? A enunciação “nunca me arrependo de nada” é bonita, mas é decididamente mentirosa. Aliás, outra coisa que fazemos por puro instinto, mentir. Mas essa é outra história. A questão é que os humanos são desastrados porque erram e se arrependem e podem continuar errando. Eu poderia aproveitar o ensejo para dizer que é isso que nos faz felizes, que nos torna únicos e mais sábios. Não, balela. Coleções de erros e arrependimentos não deixariam espaço para nossas virtudes. Nossos vícios e manchas – inevitáveis – se sobressairiam ao que somos de bom. Aperfeiçoaríamos nossas qualidades ao passo que concomitantemente moldaríamos também nossas patologias. Note-se que estou falando de Michael Jackson. Uma comprovação útil. Porque é uma pessoa pública. Porque foi alguém que teve seus defeitos – que em sua maioria não passam de especulações - e virtudes salientados. E acima de tudo, alguém que foi muito perseguido. Mas que resolutamente deixou sua marca no mundo.
Creio, que por tudo isso o tempo não nos é ininterrupto. É verdade que ele passa indiscriminadamente, talvez com pequenas influências, provenientes de nossas atitudes, do modo como vivemos. No entanto, ele cessa para nós. Esgota-se. Passará para cada um. E é isso que torna tudo interessante. Somos incitados a provar em tão pouco tempo, a todo instante, que nossa existência valeu à pena. Pois o tempo para os humanos é mais que a areia na ampulheta, é a própria vida.












Tributo a Michael Jackson.
Alguém que fez da vida autênticos passos de dança.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

A roubadora de palavras.


O que somos além de nossas próprias palavras?
Que somos além da superfície? Além do mundo que nos completa.
Se sou palavra, me calo. Pois há momentos em que caminhar os passos que o mundo impõe é insuportável. Medonho. Se sou palavra, rabisco-me, pois, desaparecer parece muito mais simples que enfrentar a todos. Enfrentar-me. Céus, como é bom exilar-me numa história. Aventuras, romances... e esquecer todas as insídias que me cercam. Parece egoísta. Alienado. Mas até que ponto devemos nos importar? Talvez devêssemos viver aleatoriamente, como creio que a vida o é. Aleatória. Para alguém como eu, é muito melhor pensar simples. Pensar em cadeias de eventos interligados, predestinados, não é comigo. Questionar-me sobre as razões da vida já parece-me perda de tempo. Que dirá de indagações sobre como a vida se desenrola. Para alguns a vida é uma linha. É agora e ponto. Fim. Para outros, há mais. A vida é um círculo. Pensar na vida como um círculo é confortante, porém, controverso. "Para quê então tentarmos nos corrigir agora se virão outras chances?" Alguns pensariam assim. Ou, "tentarei fazer tudo melhor, na tentativa de ter uma recompensa, e quem sabe, me tornar perfeito?" Que diferença faz estarmos cônscios de tantas outras oportunidades se nós mal aproveitamos uma única? Nossa vida. Agora. Somos únicos hoje justamente porque não existiram outros iguais ontem. Repetir é chato. Entediante. Antecipado. Encarar a vida como uma linha é como imaginar um desenhista amador sem borracha à mão. É imprevisível. Podemos ter em mãos, como produto, algo medíocre. Ou, algo genial. Imagino-me esse desenhista grotesco que treina rabiscos todos os dias. Às vezes faço pinturas vulgares, às vezes, faço artes finais. E quando estou cansada e desiludida ponho-me a fitar o horizonte. Fitar o céu. Busco as formas. Buscando respostas. Vez por outra, só inspiração...

Disse aqui certa vez que gostaria muito de falar sobre um livro, o qual ficou fortemente em mim. A menina que roubava livros. Isso acontece com quase toda história que leio. Já que é lá que estão elas... As palavras. É lícito admitir que as roubo. De cada livro. Quero sempre uma nova. Desconhecida. Quero lê-las – todas – e usá-las. Entender todos seus significados e dispor de cada um deles. E não vejo problema nenhum nisso. Busco- as. Absorvo-as. Alimento-me dessa matéria impalpável. Digeri cada uma delas. E agora, sinto-as em minha superfície. Formando o que sou. Constituindo as minhas concepções, estúpidas indagações...



Eis aqui um trecho favorito:

MORTE E CHOCOLATE

Primeiro as cores.
Depois os humanos.
Em geral, é assim que vejo as coisas.
Ou, pelo menos tento.

EIS UM PEQUENO FATO
Você vai morrer.

Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto. Embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo.

REAÇÃO AO FATO SUPRACITADO

Isso preocupa você?
Insisto – não tenha medo.
Sou tudo, menos injusta.

...

UMA PEQUENA TEORIA
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim,
mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de
uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa.
Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes.
Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los. ”[Fim do trecho].





Um desfecho, um conselho:

Quando um dia, tu vires alguém lendo, num canto, hermético, só, deixa-o lá. Por mais solitário que pareça, não interrompa alguém que lê. Este alguém pode estar se divertindo muito mais do que você. E pode estar mais feliz que você. [nota minha].




Ouvindo: Colbie Callat e Jason Reeves _ Droplets.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Enunciação minutíssima.






Creio que depois do último post tive um acesso de afasia... Senti as palavras me escaparem fugazes. Espero que hoje eu possa acariciá-las docilmente, mais uma vez. Mesmo que pusilânimes. Efêmeras. E aqui estou, em mais uma das minhas vãs tentativas de explorar por meio de palavras, tudo o que se passa em minha mente. Na tentativa de “dissecar” toda a matéria que me invade, ao que sinto, cada dia mais. Tudo o que se passa por esse mundo aí fora... Que me entorpece. E me assusta. Andei muito pensativa. Introspectiva. Perdida. E ainda o estou. E espero que isso se reflita em cada palavra mal rabiscada que enuncio hermeticamente no papel amarelado, no desespero das mãos trêmulas. Hesitantes. ... Sim, hesitantes, é assim que me sinto ultimamente. Hesitante quanto ao poder que outrem tem de ferir. Daí, o silêncio vem como a melhor solução. Silêncio este que se encerra dentro de mim. Pois há um som dentro de mim. Ou melhor, vários. Ecoando. São as pessoas. Todas elas. É o mundo. Não posso registrar tudo isso com só duas mãos. Dez dedos. Uma mente. Um coração. É demais. E por ser demais escreverei de menos. Em protesto. À minha confusão. Ao mundo, por ser exagerado. Às pessoas, impossíveis de decodificar. Ambos me cansam com todas as suas ricas particularidades.
NOTAS DE QUEM ESCREVE:
Não adotei, ainda, a reforma ortográfica.
Não tencionei nenhuma das rimas.
Ouvindo: "Sunrise" - Norah Jones.

Fim de um post minutíssimo.